Fragmentos de uma alma que busca aprender com tempo.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O cordão

Eu viro, reviro, me viro
Me quebro em mil pra tentar te agradar
Faço, refaço, desfaço e me despedaço
Pra ser o seu modelo perfeito
Não sei quem mais odeio
Você, pra quem nunca serei o suficiente
Ou eu, que me digo tão livre, tão segura de mim
Que não consigo cortar esse cordão invisível

Uma vez que o visível rompeu-se há anos.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Conquista.

Olhar;
Sorriso, rubor.
Olhar
Olá!
Conversa, inteligente.
Olhar;
Sorriso, malícia
Beijo
Carícia.
Abraço, apertado;
Beijo, intenso.
Olhar;
Desejo
Ação, contato
Beijo
Tesão
Roupas
No chão...
Boca
Com boca;
Saliva
Mãos, dedos.
Calor, suor
Desejo;
Súbito desespero.
Vai, vem
Isso!
Não pára!
Sussurro, gemido
Prazer
Gozo
Alegria
Boca, seca.
Beijo
Abraço, apertado.
Descanso, sono.
Bom dia!
Café;
Conversa
Beijo, abraço
Despedida;
Saudade
Reencontro
Olhar;

Sorriso...

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Aquilo que passa.

Outra noite passa
passam horas e
passam meses e
passa a vida que sonhou ter.

Vem o dia e quem sabe com ele,
a alegria de poder dizer o que sufoca,
grita e se cala em questão de segundos
em um peito doído de sussurros não ditos.

Vão-se os minutos e com eles
O precioso momento da palavra
Aquela que não foi dita,
Nem cantada
por hora escrita...

... eternizada
no silêncio da vida, que passa.

Da série: coisas que gostaria de ter escrito #2

PRETÉRITO IMPERFEITO ou SEMIBREVE

Não era tarde
Cedo também não era
Embora 'inda não fosse tempo

Não permitindo o relógio geral
...o anacronismo de que são feitas as almas...
partiu-se pois
o que é em nome do que deve ser

Não seja a Lua
Satélite de toda noite
Puro e só
Ciclo inalcançável

Nem seja a Terra
Romântico Saturno
de alianças intocáveis

Não sejam descobertos os mistérios (?)
Não seja a filosofia vã (?)
Sim.
Permita-se a Via Láctea!

E que por ela possa brincar um anjo
Em piruetas e cânticos de amor que
Por hora
Exercitam o "adeus!... olá!"
Oferecido ao astro que o convida a morar
Na amizade de sua luz adversa

Assim repousa o último verso.

Não fosse o relógio

Não fosse o relógio
Que marca o tempo de não ser dois

Não fosse o relógio
Que marca o tempo de não ser há mais tempo

Não fosse o relógio....

Eu te teria
Como tenho agora na minha eternidade imaginária

Eu te beijaria
Como me beijam os infinitos espasmos fugitivos da tua ausência

Eu te amaria...
...Perdidamente...

Eu me perderia das quantidades e direções circulares
Não fosse o relógio

Eu seria perdoada pelas marcas digitais que te habitam
E das que me habitarão
Não fosse o relógio

Poderíamos nos levar a confins do espaço
Houvesse ainda esta regra e medida
Não fosse o relógio

Quem sabe até tu me amarias..
..Então..

E, certamente, poderíamos tomar um instante por eterno
Como tomar por verdadeiro o repouso de uma linha...

Não fosse o maldito relógio

Como pulsa este débil mental no meu cérebro
A querer criar estratégias de fuga contra a tua presença nas minhas veias
A seduzir meu coração numa ilusão infinda
Pior: a uma ilusão infinda

Se... se... se.... se...
Se eu soubesse como seria bom....
Faria tudo de novo

Se... se... se...
Se eu soubesse como seria... bom...
Faria tudo melhor!

Não fosse o relógio
Este poema seria outro

Ao amor não seriam oferecidas palavras advindas da saudade
Não seria a poesia da ausência

E a esta situação
Que a realidade insiste chamar de sonho
Não mais se deveria a árdua tarefa de lapidar os gumes da palavra
Ilusão

Porque a esta música que
Sim, toca!
E portanto ordena o átimo que
Sim, se cante!
Sim, se dance!
Não mais caberia a alcunha de pretérito imperfeito

Mas a isto
Que eu deveria deixar escrito
E entregar-te então sem culpa
Dar-se ía o nome de "Segundo Presente"
Onde provavelmente jamais cogitaríamos rescrever uma linha.

Mas o tempo existe.
Antes
Durante
Depois de nós
Ele existe

Então escreva-se ainda o que se pode ver com o agora:

Não era tarde
Cedo também não era
Embora 'inda não fosse tempo

Era
Mas era de um ser proibido
Então foi dirigido para que tivesse sido
Foi
Esquecido
Apagado
Perfeito
Gramatical
Poesia onde a palavra não cabe
Quase dança
Quase música
(Um) Quase eterno
Semibreve.


Alessandra Maestrini

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O Inferno Capital


Vendo; Financio; Alugo; Compro...

Vendo a ideia de que sou bom e camarada e

Financio minha simpatia em suaves parcelas

Alugo sua luxuria ao meu bel prazer e

Compro sua alma pra levá-la comigo...

... AO INFERNO.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Da série: Coisas que eu gostaria de ter escrito - #1

Não sei se viro
menina, se viro mãe,
se viro todas.
Se viro artista,
Se viro vento
ou viajante
Viro santa
ou viro doida
Quem sabe viro onça
Viro a mesa,
viro o jogo,
viro a página,
viro a vida do avesso
e viro outras
Sim,
eu me viro.


Yohana Sanfer.
"Da boca pra dentro".

sábado, 20 de julho de 2013

Homenagem ao dia do Amigo

Hoje é dia do amigo.

Difícil pra mim, que valorizo as pequenas coisas, eleger quem é ou não meu amigo. Parece clichê e até mesmo vazio dizer que eu tenho muitos amigos ou que todo mundo é meu amigo, por mais que eu tenha plena consciência de que há AMIGOS... e amigos. Mas o fato é que, cada um em algum momento, me ensinou algo e contribuiu ativamente pra que eu me tornasse o que sou hoje. E pensando por essa ótica, eu tenho de agradecer também aos falsos amigos e aos inimigos declarados... rsrsrs
Então, obrigada aos primeiros amigos que cresceram comigo e por diversas vezes foram meus parceiros de bagunça e travessuras roubando fruta no pomar alheio. Aos que ao meu lado protagonizaram as mais épicas batalhas de infância com direito a tijoladas na testa e unhadas na cara, seguidas das mais sinceras e francas reconciliações.
Obrigada aos que me ensinaram o sentido de dividir as atenções, o pão, as broncas e os corretivos de pai e mãe. Aos que fizeram (e fazem) bagunças e farras memoráveis nos tempos de escola e universidade e que ajudaram a manter os sonhos dos tempos de juventude acesos. Aos amigos comportados e aos loucos (como eu), que por muitas vezes me ensinaram que a diferença não é motivo de segregação e que diferentes mentes podem sim se unir em prol de algo maior. Aos viciados em cafeína que enchiam a casa com as conversas acaloradas e escandalosas, dando a entender que parecia haver 30 onde estavam apenas 4.
Obrigada aos amigos mestres, que não apenas ensinaram o oficio e o saber, mas também o viver. Aos amigos de boteco que protagonizaram (e protagonizam) as mais inteligentes e divertidas discussões das quais tive o prazer de participar, seguidas de porres memoráveis onde hora eu era a paciente e hora a enfermeira. Aos amigos que nos momentos mais difíceis souberam enxergar em mim uma beleza que eu acreditava ter se perdido, me suportaram, me acalentaram, me reergueram...
Aos velhos amigos, aos novos, aos que já se foram e aos que estão por vir. Obrigada! Pelas marcas, umas visíveis e outras mais profundas, registradas em minha carne. Por moldarem, uns de forma mais intensa e outros mais superficialmente, a minha existência.


Um abraço!